quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

PRONUNCIAMENTO DO SOBRINHO TRINETO DO 2º MARQUÊS DE PARANAGUÁ (Bol. Nº 23 - 06/12/2012)


PRONUNCIAMENTO DO SOBRINHO TRINETO DO 2º MARQUÊS DE PARANAGUÁ

Marcos Henrique Paranaguá 

     Em sessão solene conjunta realizada, 05 de novembro de 2012, no plenário do Senado Federal, o Congresso Nacional, a requerimento do deputado federal Paes Landim (PTB-PI) e do senador Wellington Dias (PT-PI), prestou justa e merecida homenagem à memória do magistrado e político João Lustosa da Cunha Paranguá, o Marquês de Paranaguá, em ato presidido pelo senador paulista Eduardo Suplicy (PT).
   Piauiense da então frequesia de Nossa Senhora do Livramento de Parnaguá, hoje apenas o município de Parnaguá, povoação pioneira do sul do estado, João Lustosa da Cunha Paranaguá nasceu em 1821 e faleceu no Rio de Janeiro em 1912. Ainda criança, passou a morar e estudar em Olinda onde se bacharelou em direito, seguindo para Salvador, onde iniciou a militância política, antes exercendo a magistratura até atingir o cargo de desembargador. Paranaguá possui a mais completa biografia de um político do Piauí em todos os tempos.


   Irmão de José Lustosa da Cunha, o Barão de Santa Filomena, e José da Cunha Lustosa, o Barão de Paraim, Paranaguá foi o responsável pela implantação e posterior expansão da navegação pelo rio Parnaíba, tirando o interior piauiense e consequentemente maranhense do isolamento completo em que estavam mergulhados, bem como pela veemência em que denunciava na tribuna da Câmara ou do Senado e agia como integrante do governo de seu grande amigo, o imperador Pedro II, no combate à seca que já maltratava o nordeste brasileiro, incluindo o seu querido Piauí, razão maior de sua atuação política marcante e pragmática em quarenta anos da história do Brasil imperial no segundo reinado.
    O sobrinho trineto de Paranaguá, Marcos Henrique Paranaguá, que é diplomata e monarquista, fez questão de relembrar como as relações entre a família do futuro marquês e do imperador tornaram-se íntimas.
      Quanto ao compromisso com o Piauí, Marcos Henrique lembrou que foi somente por ação do político, que  patrocinou um projeto de troca de uma região interior do Piauí com uma área litorânea do Ceará, que foi possível ao Piauí contar com uma saída para o mar.


 Ainda crianças, a princesa Isabel, filha de Pedro II e a regente que sancionou posteriormente a lei que libertou os escravos e pôs fim à escravidão no Brasil, e Amanda Paranaguá, filha do político piauiense, então deputado geral, estavam brincando nos jardins do palácio imperial quando, por descuido, a princesa atingiu Amanda com uma machadinha em dos olhos, perfurando-o. A amizade das duas foi mantida até no exílio. Nem por isso, Paranaguá se aproveitou para tirar proventos pessoais, tanto é verdade que somente conseguiu o título de marquês um ano antes da queda da monarquia.
    Após deixar a política, já na República, Paranaguá tornou-se membro do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil e seu presidente. Segundo o historiador Chico Castro, autor de um livro recentemente publicado pelo Senado Federal sobre o estadista piauiense, vasta correspondência trocada entre o ex-Primeiro Ministro e o imperador e entre aquele e o então ministro da Guerra, o Duque de Caxias, foram encontradas no museu imperial e necessitam ser digitalizadas e preservadas. São documentos imprescindíveis a uma compreensão mais coesa sobre a guerra do Paraguai, quando Caxias era comandante das tropas brasileiras em conflito e Paranaguá o seu chefe como ministro da Guerra.


      A família Lustosa da Cunha, com origem em Santos, no litoral de São Paulo, e que se instalou e fundou Paranaguá, no sul do Piauí, possui vasta descendência no sul piauiense, no extremo sul do Maranhão e no Tocantins. 
    
       Gutemberg Castro

terça-feira, 27 de novembro de 2012

02 de dezembro: aniversário de S.A.I.R. D. Pedro II (Bol. N º 22 - 28/11/2012)


02 DE  DEZEMBRO: NASCIA S.M.I.R. DOM PEDRO II

Pedro II aos 10 meses de idade, 1826.

   Dom Pedro II (1825-1891) foi o segundo e último Imperador do Brasil. Tornou-se príncipe regente aos seis anos de idade, quando seu pai Dom Pedro I, abdicou do trono. José Bonifácio de Andrada e Silva foi nomeado seu tutor e depois foi substituído por Manuel Inácio de Andrade Souto Maior Pinto Coelho. Aos 15 anos foi declarado maior e coroado Imperador do Brasil. 
    Dom Pedro II (1825-1891) nasceu no Palácio da Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro, Brasil, no dia 02 de dezembro de 1825. Filho do Imperador Dom Pedro I e da Imperatriz Dona Maria Leopoldina. Ficou órfão de mãe com apenas um ano de idade. Com nove anos perdeu também seu pai. Era o sétimo filho, mas tornou-se herdeiro do trono brasileiro, com a morte de seus irmãos mais velhos. Cresceu aos cuidados da camareira-mor Dona Mariana Carlota de Verna Magalhães Coutinho, mais tarde condessa de Belmonte.
    No dia 2 de agosto de 1826, Dom Pedro foi reconhecido como herdeiro da coroa do império brasileiro. No dia 7 de abril de 1831, seu pai Dom Pedro I (leia mais sobre D. Pedro I aqui), que vinha enfrentando severa oposição política, acusado de favorecer os interesses portugueses no Brasil independente, abdica do trono e embarca de volta a Portugal, deixando Pedro como regente, com apenas seis anos de idade. Para tutor de Pedro, seu pai nomeou José Bonifácio de Andrada e Silva.


                                                                             Foto rara de D. Pedro II

    Com a abdicação e a menoridade do herdeiro do trono, foi eleita pela Assembléia, obedecendo à Constituição, uma Regência Trina até a maioridade de Dom Pedro. Estando o Senado e a Câmara de férias, foi eleita uma Regência Trina Provisória, que permaneceu de 7 de abril a 17 de junho de 1831. Em seguida foi eleita a Regência Trina Permanente, entre 1831 e 1835. A Regência Una de Feijó governou entre 1835 e 1837. E a Regência Una de Araújo Lima governou entre 1838 e 1840.
   Durante a menoridade, Dom Pedro teve aulas com diversos mestres ilustres, escolhidos por seu tutor José Bonifácio. Estudou caligrafia, literatura, francês, inglês, alemão, geografia, ciências naturais, pintura, música, dança, esgrima e equitação.
  Os liberais moderados governavam o País com dificuldades, enfrentando os que preferiam a República. Outro grupo queria a volta de Dom Pedro I. As crises se acumulavam. Em 1840 os conservadores mantinham a maioria parlamentar e fizeram aprovar a Lei de Interpretação do Ato Adicional que reduzia as conquistas feitas pelos liberais. 


     Esses, inconformados começaram a luta pela maioridade do imperador, então com 15 anos. No dia 22 de julho, indagado, Dom Pedro aceita assumir o Governo do Império brasileiro. No dia 23 de julho de 1840, Dom Pedro II é coroado Imperador. O ato ficou conhecido como o Golpe da Maioridade.
    Os primeiros anos de reinado de Dom Pedro II foram de aprendizado político. Aplicava-se inteiramente aos negócios de Estado, exercia a risca a Constituição. Aos poucos o país se pacificava. No dia 3 de setembro de 1843, Dom Pedro II esperava no porto, sua esposa Teresa Cristina de Bourbon. O casamento era um arranjo político com Francisco I, rei das Duas Sicílias. Tiveram quatro filhos, mas só sobreviveram Isabel e Leopoldina. A vida na corte era calma. As portas do Palácio Isabel, hoje Palácio Guanabara, era abertas quatro vezes por ano, ao corpo diplomático e à nobreza.
   No início de seu governo, Dom Pedro I fez viagens diplomáticas às províncias mais conflitadas. Em 1850, Dom Pedro II ainda não completara 25 anos, mas seu império já estava consolidado. A constituição de 1824, com as modificações introduzidas pelo Ato Adicional, dava ao Imperador um Governo quase autocrático. Mas Pedro II optou, sempre, pela moderação. Os partidos políticos do Império representavam a aristocracia rural e a técnica política do Imperador era revezar os partidos no poder. Essa política sobreviveu por quase vinte anos.
     O império que gozava de certa prosperidade econômica começou a perder o equilíbrio, com as guerras na região do rio da Prata. As forças imperiais lutaram em 1850, contra Rosas e Oribe e em 1864 contra Aguirre. Em 1865, teve inicio a Guerra do Paraguai, que durou cinco anos e finalmente o Paraguai foi vencido. Ao terminar a guerra, o movimento abolicionista tomava impulso e no Rio de Janeiro fundava-se em 1870, o Partido Republicano.
    Na década de 1870, Dom Pedro II viajou duas vezes à Europa (leia aqui sobre sua viagem aos E.U.A.), deixando sua filha a Princesa Isabel como Regente. Em ambos os momentos a princesa resolveu causas difíceis. Em 1871, assinou a lei do Ventre Livre e em 1875 foi resolvida a Questão Religiosa. Em 1886, Dom Pedro adoece e parte novamente para a Europa. No dia 13 de maio de 1888, com a Regência da Princesa Isabel, é assinado o decreto que acaba com a escravidão no Brasil.
   O ideal republicano que surgiu no Brasil em vários movimentos, como na Guerra dos Farrapos e na Revolução Praieira, foi só após a Guerra do Paraguai que ressurgiu e se fortaleceu. No dia 15 de novembro de 1889, resultado da conjugação de interesses políticos, o governo imperial foi derrubado. Estava proclamada a República no Brasil. No dia seguinte organizou-se um governo provisório, que deu 24 horas para Dom Pedro deixar o país.
    Dom Pedro de Alcântara embarca com a família para Portugal, era 17 de novembro de 1889, dois dias após a proclamação da República. Chegando a Lisboa no dia 7 de dezembro e seguindo para o Porto, onde a imperatriz morreu no dia 28 do mesmo mês. Pedro, com 67 anos, segue sozinho para Paris, onde fica hospedado no Hotel Bedford, onde passava o dia lendo e estudando. As visitas à Biblioteca Nacional era seu refúgio. Em novembro de 1891, doente não saia mais do quarto.


   Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança morre no dia 5 de dezembro de 1891, em consequência de uma pneumonia. Seu funeral foi realizado com honras de chefe de estado pelo governo francês, com a presença de vários líderes de países, menos do Brasil. Seus restos mortais são transladados para Lisboa, e depositado no convento de São Vicente de Fora, junto aos da esposa (veja aqui o filme do translado). Quando revogada a lei do banimento em 1920, os despojos dos imperadores foram trazidos para o Brasil e depositados na catedral do Rio de Janeiro em 1921. Em 1925, foram transferidos para Petrópolis.

     Fonte: Texto original em http://www.e-biografias.net/dompedro_ii/;
                Novo dicionário de Historia do Brasil - melhoramentos - 1970
                            Comendador Gutemberg Castro

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A BÍBLIA E O IMPERADOR (Bol. Nº 21 - 19/11/2012)



    A BÍBLIA E O IMPERADOR




     Uma das mais bonitas opiniões sobre a bíblia, publicadas pela sociedade bíblica do Brasil em seu folheto “grandes personalidades e a bíblia”, é a do grande Imperador S.A.I. D. Pedro II. Ei-la: 
Eu amo a bíblia. Eu leio-a todos os dias, e, quanto mais a leio tanto mais a amo. Há alguns que não gostam da bíblia. Eu não os entendo, não compreendo tais pessoas; mas, eu a amo, amo a sua simplicidade, e as repetições e reiterações da verdade. Como disse, eu leio a bíblia cotidianamente e gosto dela cada vez mais

    Em 1876, estava o notável estadista e querido Imperador brasileiro nos E.U.A., em Nova York. Atraído pela fama do notável evangelista D. L. Moody, D. Pedro II dirigiu-se ao local em que os evangélicos estavam congregados, para o culto de Deus e pregação da verdade. Na austeridade que tornava singular o seu porte de intimorato anunciador  da salvação, Moody assoma o púlpito.
     Perante compacta multidão ansiosa de Cristo, o pregador anuncia o tema de sua mensagem, resumido na célebre pergunta que Pilatos fez na presença da turba sanguinária: “Que farei de Jesus Cristo?
    Referem cronistas da época, que a notícia da presença do Imperador espalhou-se rapidamente, e Moody cientificado de que seria ouvido pelo culto Monarca Brasileiro. Entretanto, longe de se embaraçar, o grande evangelista falou com toda franqueza, naquela simplicidade que foi segredo porque Deus o pode usar tanto:

Mesmo um grande Imperador, com toda sua riqueza e poder, não salvará sua alma se não se curvar aos pés de Cristo, e não O aceitar de todo o coração.


 D. L. Moody


    Ouvindo tais palavras, D. Pedro II curvou, reverentemente, a cabeça, aprovando, com respeitosos acenos, as vibrantes afirmações do pregador destemido.
   Linda lição! Que possam meditar nela aqueles que, de Deus, reconhecem a missão de anunciar os caminhos do senhor, e a meia-noite que já vem chegando...
    Linda lição! Que possam aprende-la orgulhosos e impenitentes que vivem a declarar guerra aos arautos que, anunciando a verdade, tocam-lhe nas feridas, que o pecado lhes fez abrir o coração...

Fonte: 'A BÍBLIA, SEMPRE A BÍBLIA' – IMPRENSA METODISTA – IVAN ESPÍNDOLA DE ÁVILA – 1971.

                          Comendador Gutemberg Castro

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

TAMANDARÉ - O ÚLTIMO DOS GRANDES MILITARES MONARQUISTAS (Bol. Nº 20 - 16/11/2012)


TAMANDARÉ  
O ÚLTIMO DOS GRANDES MILITARES MONARQUISTAS

ALMIRANTE TAMANDARÉ

   Joaquim Marques Lisboa, o Almirante Tamandaré (Rio Grande, 13 de dezembro de 1807 — Rio de Janeiro, 20 de março de 1897), foi um militar da Marinha do Brasil. Na carreira, atingiu o posto de almirante, tendo os seus serviços à pátria sido reconhecidos pelo Império com a concessão do título de marquês de Tamandaré. Herói nacional é o patrono da Marinha de Guerra do Brasil. O dia de seu nascimento, 13 de dezembro, é lembrado como o Dia do Marinheiro.
     Era filho de Francisco Marques Lisboa (nascido na antiga província portuguesa de Estremadura em 1767) e de Eufrásia Joaquina de Azevedo Lima (nascida em Viamão), radicados na vila vizinha ao município do Rio Grande e atual município de São José do Norte. Irmão de Henrique Marques de Oliveira Lisboa. Aos quinze anos de idade, alistou-se como voluntário na Marinha do Brasil, onde iniciou carreira como praticante de piloto na fragata Niterói, sob o comando de John Taylor. Nesse posto tomou parte em vários combates navais no litoral da então Província da Bahia, inclusive na perseguição à força naval portuguesa que se retirava em 1823.
     Em 1825, durante a Guerra da Cisplatina (1825-1828) - em que as Províncias Unidas do Rio da Prata pretendiam anexar a Província Cisplatina, então pertencente ao Império do Brasil - Tamandaré, como tenente, se destacou em muitos combates pela liderança e coragem. Capturado com outros brasileiros, arrebatou ao inimigo o navio de guerra que os levava prisioneiros, assumindo o seu comando aos 18 anos de idade.
    Aos vinte anos de idade, no comando da escuna "Bela Maria", depois de travar combate de artilharia com um navio argentino e vencendo, demonstrou o seu espírito humanitário com o inimigo, o que lhe valeu o reconhecimento dos vencidos (1827).
Em 1840 já era Capitão-de-Fragata e, em 1847, Capitão de Mar-e-Guerra.
    Em 1848 recebeu, na Grã-Bretanha, a fragata D. Afonso, primeiro navio misto - a vela e a vapor - de grande porte da Armada brasileira. Durante esse comando, tendo a bordo o príncipe de Joinville, os duques de Aumale e o chefe da esquadra almirante John Grenfell, teve a oportunidade de socorrer o navio "Ocean Monarch", incendiado próximo ao porto de Liverpool, resgatando mais de cem pessoas. Em 6 de março de 1850 socorre a nau "Vasco da Gama", perdida a avariada ao largo da barra do Rio de Janeiro, depois de uma forte tempestade.
   Participou da Guerra contra Rosas, em 1851, na passagem do Tonelero.
    Em 1852 Marques Lisboa foi promovido ao posto de Chefe-de-Divisão, correspondente a Comodoro em outras marinhas e, em 1854, a Chefe-de-Esquadra, correspondente Contra-Almirante.
    Em 1857, durante uma permanência na Europa para acompanhar o tratamento de saúde da sua esposa, foi incumbido pelo governo imperial de fiscalizar a construção de duas canhoneiras na França e de oito outras na Grã-Bretanha. Eram navios de propulsão mista vela-vapor que significavam uma atualização necessária para que a Marinha brasileira continuasse a defender cabalmente os interesses do país. Esses navios atuaram na Guerra contra Aguirre e na Guerra do Paraguai. Nesta questão, que evoluiu para uma intervenção militar brasileira, antes da rendição de Montevidéu, o Almirante liderou os combates em Salto e Paiçandu, ocupando-as com tropas brasileiras.
    Em 1864, já com o título de barão de Tamandaré, assumiu o cargo de Comandante-em-Chefe das operações navais brasileiras no Rio da Prata.
   Durante a Guerra do Paraguai (1864 - 1870), coube a Marques Lisboa o comando das forças navais no início do conflito entre 1865 e 1866. Ele estabeleceu o bloqueio naval e organizou o apoio logístico para a força em operação, fundamentais para o seu bom êxito.
    Na Batalha Naval do Riachuelo (11 de junho de 1865), Francisco Manoel Barroso da Silva, por ele designado para comandar as Divisões em operação no rio Paraná, obteve a vitória que mudou o curso da guerra em favor da Tríplice Aliança.
    Marques Lisboa comandou a operação militar do Passo da Pátria num bem sucedido desembarque de tropas de grande envergadura e assim como o apoio naval na conquista das fortificações do rio Paraguai, que impediam o avanço aliado.
  Em 1866, por razões de saúde e políticas pediu o afastamento do cargo, sendo substituído pelo Almirante Joaquim José Inácio, mais tarde visconde de Inhaúma.
    Quando da Proclamação da República do Brasil, no dia 15 de novembro de 1889, o marquês de Tamandaré permaneceu fiel a S.A.I.R. D. Pedro II do Brasil, quedando-se cerca de uma hora a sós com o Imperador, pedindo-lhe permissão para a Armada Imperial debelar o golpe de Estado, o que lhe foi negado. Aos 82 anos de idade, e o último dos grandes militares Monarquistas do passado ainda vivo (Duque de Caxias, marquês do Herval, almirante Barroso, marechal Polidoro e todos os demais já haviam falecido), recusou-se a aceitar o fim da monarquia e permaneceu esperançoso da possibilidade de um contragolpe. Permaneceu ao lado da Família Imperial até ao seu embarque definitivo no navio Alagoas para o exílio.

TESTAMENTO DO MARQUÊS DE TAMANDARÉ

   A historiografia oficial omite todo o primeiro parágrafo deste documento alterando com isso o sentido do texto. Por volta de 23 de setembro de 1893, Tamandaré assim dispôs:

  "Não havendo a Nação Brasileira prestado honras fúnebres de espécie alguma por ocasião do falecimento do imperador, o senhor D. Pedro II, o mais distinto filho desta terra, tanto por sua moralidade, alta posição, virtudes, ilustração, como pela dedicação no constante empenho ao serviço da Pátria durante quase 50 anos que presidiu a direção do Estado, creio que a nenhum homem de seu tempo se poderá prestar honras de tal natureza, sem que se repute ser isso um sarcasmo cuspido sobre os restos mortais de tal indivíduo pelo pouco valor dele em relação ao elevadíssimo merecimento do grande imperador.
   Não quero, pois, que por minha morte que me prestem honras militares, tanto em casa como em acompanhamento para sepultura.
   Exijo que meu corpo seja vestido somente com camisa, ceroula e coberto com um lençol, metido em caixão forrado de baeta, tendo uma cruz na mesma fazenda, branca, e sobre ela colocada a âncora verde que me ofereceu a Escola Naval em 13 de dezembro de 1892, devendo colocar no lugar que faz cruz a haste e o cepo, um coração imitando o de Jesus, para que assim ornado signifique que a âncora cruz, o emblema da fé, esperança e caridade que procurei conservar sempre como timbre dos meus sentimentos. Sobre o caixão não desejo que se coloque coroas, flores nem enfeites de qualquer espécie, e só a Comenda do Cruzeiro que ornava o peito do Sr. D. Pedro II em Uruguaiana, quando compareceu como o primeiro dos Voluntários da Pátria para libertar aquela possessão brasileira do jugo dos paraguaios, que a aviltavam com a sua pressão; e como tributo de gratidão e benevolência com que sempre me honrou e da lealdade que constantemente a S.M.I. tributei, desejo que essa Comenda Relíquia esteja sobre meu corpo até que baixe a sepultura, devendo ficar depois pertencente a minha filha D.M.E.L. (Dona Maria Eufrásia Marques Lisboa) como memória d’Ele e lembrança minha.
   Exijo que se não faça anúncios nem convites para o enterro de meus restos mortais, que desejo sejam conduzidos de casa ao carro e deste à cova por meus irmãos em Jesus Cristo que hajam obtido o foro de cidadãos pela lei de 13 de maio.
    Isto prescrevo como prova de consideração a esta classe de cidadãos em reparação à falta de atenção que com eles se teve pelo que sofreram durante o estado de escravidão, e reverente homenagem à Grande Isabel Redentora, benemérita da Pátria e da Humanidade, que se imortalizou libertando-os.
   Exijo mais, que meu corpo seja conduzido em carrocinha de última classe enterrado em sepultura rasa até poder ser exumado, e meus ossos colocados com os de meus pais, irmãos e parentes, no jazigo da Família Marques Lisboa.
“Como homenagem à Marinha, minha dileta carreira, em que tive a fortuna de servir à minha Pátria e prestar algum serviço à humanidade, peço que sobre a pedra que cobrir minha sepultura se escreva: Aqui jaz o Velho Marinheiro."

     Almirante Joaquim Marques Lisboa
    FONTE: wikipédia;
                  Novo dicionário de história do Brasil - Melhoramentos 1970
             
                        GUTEMBERG CASTRO

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Proclamação da República, uma geringonça aos solavancos. (Bol. Nº 19 - 28/10/2012)


      Proclamação da República,
 uma geringonça aos solavancos.




    O embaixador da França relatou ao seu país, na ocasião da proclamação da República: “Dois mil homens, comandados por um soldado revoltado, bastaram para fazer uma revolução que não estava preparada, ao menos para já. Informações particulares permitem afirmar que os próprios vencedores não previam, no começo do movimento, as condições radicais que ele devia ter”.  
   Quanto à organização das forças que derrubaram de supetão a Monarquia, elas lembravam mais uma geringonça andando aos solavancos do que um trem bem azeitado. O dia 15 foi repleto de lances de confusão, de líderes que deram shows de hesitação (a começar por Deodoro), de liderados que acreditaram em boatos e saíram de quartéis pensando que estavam apenas derrubando o Ministério.
    Benjamim Constant estivera com Deodoro, no dia 14 de novembro, e estava desolado. Ao descer do bonde no Largo de São Francisco, encontrou por acaso Aristides Lobo e Francisco Glicério, e lhes deu péssimas notícias sobre o estado de saúde do marechal. 
   — Creio que ele não amanhece, e se ele morrer a revolução está gorada. Os senhores, civis, podem salvar-se, mas nós, militares, arrostaremos as conseqüências das nossas responsabilidades.
    Na tarde do dia 15, ao perambular pela cidade e constatar que pouquíssimas pessoas falavam de República, Constant percebeu o quanto a situação era esdrúxula. Encontrando o jornalista republicano Aníbal Falcão com um grupo de amigos, na Rua do Ouvidor, disse-lhes:
    — Agitem o povo, que a República não está proclamada.
Aníbal Falcão redigiu uma confusa moção, dizendo que “o povo, reunido em massa, fez proclamar o governo republicano”. E conseguiu colher cerca de 100 assinaturas do “povo em massa”.
    A dificuldade realmente intransponível era fazer Deodoro aceitar um ministério presidido por Silveira Martins, que fora indicado ao Imperador pelo Visconde de Ouro Preto. Eram inimigos desde o tempo em que o marechal serviu no Rio Grande do Sul, quando disputou com Silveira Martins as graças da Baronesa do Triunfo. Somente ao saber, já de noite, através de Benjamim Constant, que o Imperador havia nomeado Silveira Martins para a chefia do Ministério, Deodoro teria se resolvido a aceitar a instauração do regime republicano. Também se tentou que Deodoro fosse ter um encontro pessoal com D. Pedro II, mas o marechal recusou-se com estas palavras:
     — Se eu for, o velho chora, eu choro também, e está tudo perdido.
    A Princesa Isabel confirma: “A ideia de chamar para formar ministério a Silveira Martins, seu inimigo mortal (uma vez que Ouro Preto estava preso, e, solto sob palavra, pediu demissão), facilitou o trabalho dos republicanos que o cercavam, os quais aproveitaram-se do descontentamento da situação e conduziram-no à República”.

   O marechal Deodoro jamais contestou que, até às vésperas de 15 de novembro, tivesse servido devotadamente ao Imperador. A sua adesão às idéias de Benjamim Constant data, talvez, de 10 a 12 daquele mês. Certo dia, já presidente, recebeu Deodoro no Itamarati um cavalheiro que alegava ser republicano de longa data, batendo-se pela República desde 1875.
    — Pois eu, meu caro senhor, não dato de tão longe. Sou republicano de 15 de novembro; e o meu irmão Hermes, de 17!
  Deodoro era presidente da República, quando o convidaram para visitar o ateliê de Rodolfo Bernardelli, no qual se achava, quase concluído, o quadro representando a proclamação da República. Na tela, a sua figura aparece montando um bonito cavalo. Ele se voltou para os que o acompanhavam, e comentou:
    — Vejam os senhores... Quem lucrou, no meio de tudo aquilo, foi o cavalo!



 Gutemberg Castro

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Filme do translado dos restos mortais de D.Pedro II (Bol. Nº 18 - 24/10/2012)

FANTÁSTICO!!!
Filme do translado dos restos mortais dos Imperadores do Brasil



VEJA O VÍDEO

Serviços Cinematográficos do Exército - Companhia Produtora Portugal, 1920

Género: documentário
Duração: 00:06:25, 16 fps
Formato: 35 mm, PB, sem som
AR: 1:1,33
ID CP-MC: 3004989-004-00.20.22.00

Fonte: http://monarquista.com.br/?p=302


Gutemberg Castro




Casamento do Grão-Duque Herdeiro de Luxemburgo (Bol. Nº 17 - 23/10/2012)

CASA IMPERIAL DO BRASIL presente no casamento do Grão-Duque Herdeiro Guillaume do Luxemburgo com a Condessa Stéphanie de Lannoy.

 Príncipe Dom Antonio e a Princesa Dona Christine de Orleans e Bragança.

      O destaque de hoje vai para a representação da Casa Imperial do Brasil no casamento do Grão-Duque Herdeiro Guillaume do Luxemburgo com a Condessa Stéphanie de Lannoy: o Príncipe Dom Antonio e a Princesa Dona Christine de Orleans e Bragança. Presentes também o cunhado e a irmã do Chefe da Casa Imperial do Brasil - Dom Luiz de Orleans e Bragança, o 13º Príncipe Titular de Ligne, o Príncipe Michel e a Princesa Dona Eleonora.
    Dona Christine de Orleans e Bragança, nascida Princesa de Ligne, é filha da Princesa Alix, nascida Princesa de Luxemburgo, sendo, portanto prima irmã do atual Grão-Duque do Luxemburgo. Dona Christine além de ser prima do noivo, também compartilha com a Condessa Stéphanie, o 10.º Príncipe de Ligne, Ernest Henri, como antepassado.

O CASAMENTO GRÃO-DUCAL

Príncipe Guillaume do Luxemburgo com a Condessa Stéphanie de Lannoy






    No sábado (20/10/12), comparecem ao casamento Grão-Ducal mais de 800 convidados, entre membros da Realeza de todo mundo, membros do governo luxemburguês, corpo diplomático e amigos da Família. Presentes os Reis da Noruega e da Bélgica com os respectivos Príncipes Herdeiros, a Rainha da Dinamarca e seu Consorte – acompanhados pelos Príncipes Herdeiros, a Rainha da Suécia e a Princesa Herdeira com seu Consorte, a Rainha da Holanda acompanhada dos Príncipes Herdeiros, os Príncipes Soberanos de Liechtenstein, a Princesa de Hannover – representando o Príncipe de Mônaco, o Príncipe Herdeiro do Japão, os Príncipes das Astúrias – representando os Reis da Espanha, os Reis de direito da Grécia e da Bulgária, além do Chefe da Casa Real de Portugal e da França, bem como da representação da Casa Imperial do Brasil, pelo Príncipe Dom Antonio de Orleans e Bragança e o Herdeiro do Trono da Alemanha e da Prússia.


Gutemberg Castro

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

VISCONDE DE SALTO – Homem de inteligência invulgar (Bol. nº 16 - 16/10/2012)



 O BARÃO E VISCONDE DE SALTO 

                                                – Homem de inteligência invulgar




D. Pedro II galardoa Antônio José Dias Carneiro com a Comenda da Ordem da Rosa

 

FOI ANTÔNIO JOSÉ DIAS CARNEIRO


     Nasceu em Resende, no dia 1º de Abril de 1814 e faleceu a 14 de Julho de 1891. Filho de Escolástica Carneira de Sá , nascida em Resende no dia 7-VI-1793 ). Casou–se pela 1ª vez no dia 26 de outubro de 1810 com o Tenente Antônio José Dias Coelho, nascido e batizado na Freguesia de Nossa Senhora das Neves do Carajal, termo da Vila de Sarnacelhe, bispado de Lamego, Portugal, perante o Reverendo Ministro José Antônio Martins de Sá, coadjuvado pelo Pe. Manuel Serafim dos Anjos e das testemunhas Sabino Antônio Delgado e João Luiz Pinto, na Matriz de Resende. Do casal nasceram sete filhos: João Dias Carneiro, Capitão José Dias Carneiro, Antônio  José Dias Carneiro, Maria Dias Carneiro, Capitão Manuel Dias Carneiro, Antônia Dias Carneiro e o Tenente Joaquim Dias Carneiro .
    Escolástica Carneira de Sá, ficando viúva, casou-se em 1822, na mesma Matriz de Resende com Fernando Pereira Vianna, do qual nasceram mais cinco filhos: Alferes Francisco Pereira Vianna, Ana Carneiro de Sá, Fernando Pereira Vianna Filho, Leopoldina Carneiro de Sá Vianna e Escolástica Carneiro de Sá.
     Antônio José Dias Carneiro foi um homem de inteligência invulgar. Fez unicamente o curso primário na escola particular do Comendador Fabiano Pereira Barreto. Trabalhou algum tempo na lavoura e depois, por dez anos consecutivos prestou serviços como balconista da principal firma comercial do comendador João Lourenço Dias Guimarães, onde granjeou amizades e estima. Com o fruto de economias e com o auxílio dos seus amigos Barão do Amparo, do Comendador Antônio de Paula Ramos e do major Manuel Correia – iniciou sua vida comercial por conta própria. Mais tarde, tornou-se sócio de outros ilustres personagens resendenses – do Comendador Joaquim Gomes Jardim, do Comendador Antônio José Nogueira, do Barão do Bananal e Marcelino Manuel Guerra – na organização da firma Guerra & Cia. Comércio de Café.
    Antônio José Dias Carneiro foi o 1º Negociante de Resende matriculado no Tribunal do Comércio do Rio de Janeiro.
    Dias Carneiro sempre foi um bom cristão e soube distribuir favores e benefícios. Na Guerra do Paraguay foi o 1º a oferecer ao Governo Imperial dezoito escravos moços, aptos para a luta. Era abolicionista, partidário da extinção gradual do cativo.
    Em 11 de abril de 1840, por ofício do Presidente da Província, Dias Carneiro foi nomeado ajudante do administrador do Correio da Vila de Resende. Em virtude da demissão concedida ao Comendador Antônio da Rocha Miranda e Silva (pai do Barão do Bananal) e 1º administrador da Agência do Correio de Resende, foi nomeado seu sucessor em 1841.
    Antônio José Dias Carneiro exerceu cargos de alta responsabilidade. Foi nomeado e eleito por votação popular dentro do Partido Liberal que sempre pertenceu, para os cargos de Juiz de Paz, Juiz Municipal. Juiz de Órfãos, Presidente do Colégio Eleitoral e por longos anos Tesoureiro e Provedor da Santa Casa de Misericórdia de Resende.

    Em 9 de Novembro de 1882, perdoa a dívida de 10:600$000 que emprestara anos antes, sem juros à Santa Casa, para obras do hospital.
     Por decreto de sete de Agosto de 1877, D. Pedro II galardoa Antônio José Dias Carneiro com a Comenda da Ordem da Rosa, pelos relevantes serviços prestados à Pátria, e, por decreto de 14 de maio de 1883 é agraciado com o título de Barão  do Salto, e, em face da remuneração e liberdade concedidas a escravos e serviços prestados ao Estado, D. Pedro eleva o título a Visconde do Salto, em 24 de maio de 1886.
       O Visconde do Salto faleceu solteiro.


A LENDA DO ÚLTIMO ADEUS




      A lenda do Último Adeus diz que o comendador Henrique Irineu de Souza, filho do visconde de Mauá, residia com sua família na fazenda Mont Serrat. Uma de suas filhas era noiva do visconde de Salto, grande proprietário de terras na vizinhança da aldeia de Boa Vista (hoje Engenheiro Passos), e que subia a serra no lombo de seu bizarro cavalo e acompanhado do fiel escravo, para visitar sua noiva sinhazinha. Após alguns dias, retornava à freguesia. Na descida da serra existe um trecho de onde, se avistava a casa grande de Mont Serrat, hoje sede do Parque Nacional.
    O visconde de Salto escalava a pedreira, e acenava o lenço, dava o último adeus a sua amada, pois dali em diante não mais se avistava a casa grande. Estes grandes e felizes momentos repetiram-se de tempos em tempos, o que deu origem ao nome do local, a Pedra do Último Adeus. (Revista da academia Itatiaiense de história, número 1-2005-Célia Borges).


A biografia do visconde foi enviada [ao site Archivo Nobiliárchico Brasileiro] pela gentil colaboradora Maria Cristina F. Marcondes Godoy por indicação de José Eduardo O. Bruno, ambos pertencentes a Academia Resendense de História da qual Maria Cristina é uma das diretoras. Essa biografia também se encontra no livro editado pela Academia no final de 2001 "Resende 1801- 2001 Crônica dos Duzentos Anos".

Fonte: 


Gutemberg Castro

CONTATO

Nome

E-mail *

Mensagem *

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

ARCHIVO NOBILIÁRQUICO BRASILEIRO

OBRIGADO PELA VISITA!