sábado, 15 de setembro de 2012

Negro, Monarquista, amigo pessoal do imperador D. Pedro II (bol. n.07 - 28/08/2012)



        ANDRÉ  REBOUÇAS

                                                 Monarquista, amigo pessoal do imperador D. Pedro II



      Engenheiro civil e professor, nascido em Cachoeira (BA), em 13/01/1838; morto em Funchal, Ilha da Madeira em 09/05/1898. Diplomado em matemática e ciências físicas pela escola militar do Rio de Janeiro (1858), continuou os estudos na escola de aplicação da praia vermelha, no qual saiu engenheiro e 1° tenente (1860). Embarcou depois para França, onde permaneceu até 1862, especializando-se na construção de docas e vias férreas: construiu as primeiras docas do Rio de Janeiro, do Maranhão, da Paraíba, de Pernambuco e da Bahia. Professor por concurso na Escola Central, depois Escola Politécnica (1879), liderou o corpo docente deste estabelecimento de ensino na campanha abolicionista (que já encetara com Joaquim Nabuco e José do Patrocínio), sobretudo com a fundação do Centro abolicionista da Escola Politécnica. Fundador também da Confederação Abolicionista e autor de uma série de artigos que publicou na Gazeta da Tarde sob o título geral de Abolição Imediata e sem Indenização, foi, segundo Joaquim Nabuco,  “ o maior, não pela ação exterior, ou influência direta sobre o movimento (abolição), mas pela força e altura da projeção cerebral, pela rotação vertiginosa de ideias e sensações em torno do eixo consumidor e candente, que era para ele o sofrimento do escravo”. Homem de ideias apresentara em 1874 um plano de viação, então julgado fantasioso, em que previa dez “paralelas” ferroviárias, as quais cortariam o Brasil de leste a oeste, tendo seis “convergentes” de caráter fluvial como auxiliares. Quanto aos escravos, além da libertação “imediata e sem indenização” exigia uma reestruturação da sociedade brasileira, que lhes fosse realmente favorável, mediante uma espécie de reforma agrária, por ele denominada “triangulação do Brasil”.


      André Rebouças tinha grande prestígio pessoal junto a Dom Pedro II. No período compreendido entre a Abolição da Escravatura, 13 de maio de 1888 e a Proclamação da República, 15 de novembro de 1889, o imperador atribuiu-lhe importantes encargos, tendo assim participado amplamente dos acontecimentos políticos do País.
       Monarquista, amigo pessoal do imperador D. Pedro II, Rebouças não aceitou a implantação do regime republicano, não achava que com o fim da Monarquia fosse resolver o problema (orquestrada por pouquíssimos militares – inclusive Deodoro não era a favor da proclamação tanto que depois em uma crise no início de seu governo disse “vou chamar o dono da casa para arrumar a bagunça” referindo-se a D. Pedro ll - e sem nenhuma participação popular), exilando-se voluntariamente em companhia do Imperador D. Pedro ll, embarcou na madrugada do dia 16 de novembro de 1889, no paquete Alagoas (navio rápido e luxuoso, normalmente a vapor), com destino à Europa.

         A pedido de Pedro II, que reconhecia estar vivendo seus últimos dias de vida, Rebouças viajou para Cannes, na França, para encontrá-lo, ficando na sua companhia do dia 28 de abril a 2 de maio de 1891. Após a morte deste, Rebouças demonstrava  sinais de desequilíbrio emocional. Embarcando para a África, internou-se África, onde viveu durante seis anos, especialmente nas possessões portuguesas, promovendo campanhas de libertação do continente negro. Radicado por fim na Ilha da Madeira, foi encontrado morto em Funchal: e seu corpo foi resgatado na base de um penhasco de 60 metros, próximo ao hotel em que vivia, não sabendo nunca se suicidou ou se o assassinaram.

      Um mês depois, no dia 18 de junho de 1898, seus restos mortais vindos da Ilha da Madeira, foram trasladados solenemente, por mar, das Docas Nacionais até a Praia de Botafogo, e dali a pé, até o Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro, onde foram sepultados.

   Por Gutemberg Castro

Fontes:

NOVO DICIONÁRIO DE HISTÓRIA DO BRASIL, melhoramentos - 1970
GASPAR, Lúcia. André Rebouças. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar>. Acesso em: 27/08/2012
WIKIPÉDIA.

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