quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

PRONUNCIAMENTO DO SOBRINHO TRINETO DO 2º MARQUÊS DE PARANAGUÁ (Bol. Nº 23 - 06/12/2012)


PRONUNCIAMENTO DO SOBRINHO TRINETO DO 2º MARQUÊS DE PARANAGUÁ

Marcos Henrique Paranaguá 

     Em sessão solene conjunta realizada, 05 de novembro de 2012, no plenário do Senado Federal, o Congresso Nacional, a requerimento do deputado federal Paes Landim (PTB-PI) e do senador Wellington Dias (PT-PI), prestou justa e merecida homenagem à memória do magistrado e político João Lustosa da Cunha Paranguá, o Marquês de Paranaguá, em ato presidido pelo senador paulista Eduardo Suplicy (PT).
   Piauiense da então frequesia de Nossa Senhora do Livramento de Parnaguá, hoje apenas o município de Parnaguá, povoação pioneira do sul do estado, João Lustosa da Cunha Paranaguá nasceu em 1821 e faleceu no Rio de Janeiro em 1912. Ainda criança, passou a morar e estudar em Olinda onde se bacharelou em direito, seguindo para Salvador, onde iniciou a militância política, antes exercendo a magistratura até atingir o cargo de desembargador. Paranaguá possui a mais completa biografia de um político do Piauí em todos os tempos.


   Irmão de José Lustosa da Cunha, o Barão de Santa Filomena, e José da Cunha Lustosa, o Barão de Paraim, Paranaguá foi o responsável pela implantação e posterior expansão da navegação pelo rio Parnaíba, tirando o interior piauiense e consequentemente maranhense do isolamento completo em que estavam mergulhados, bem como pela veemência em que denunciava na tribuna da Câmara ou do Senado e agia como integrante do governo de seu grande amigo, o imperador Pedro II, no combate à seca que já maltratava o nordeste brasileiro, incluindo o seu querido Piauí, razão maior de sua atuação política marcante e pragmática em quarenta anos da história do Brasil imperial no segundo reinado.
    O sobrinho trineto de Paranaguá, Marcos Henrique Paranaguá, que é diplomata e monarquista, fez questão de relembrar como as relações entre a família do futuro marquês e do imperador tornaram-se íntimas.
      Quanto ao compromisso com o Piauí, Marcos Henrique lembrou que foi somente por ação do político, que  patrocinou um projeto de troca de uma região interior do Piauí com uma área litorânea do Ceará, que foi possível ao Piauí contar com uma saída para o mar.


 Ainda crianças, a princesa Isabel, filha de Pedro II e a regente que sancionou posteriormente a lei que libertou os escravos e pôs fim à escravidão no Brasil, e Amanda Paranaguá, filha do político piauiense, então deputado geral, estavam brincando nos jardins do palácio imperial quando, por descuido, a princesa atingiu Amanda com uma machadinha em dos olhos, perfurando-o. A amizade das duas foi mantida até no exílio. Nem por isso, Paranaguá se aproveitou para tirar proventos pessoais, tanto é verdade que somente conseguiu o título de marquês um ano antes da queda da monarquia.
    Após deixar a política, já na República, Paranaguá tornou-se membro do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil e seu presidente. Segundo o historiador Chico Castro, autor de um livro recentemente publicado pelo Senado Federal sobre o estadista piauiense, vasta correspondência trocada entre o ex-Primeiro Ministro e o imperador e entre aquele e o então ministro da Guerra, o Duque de Caxias, foram encontradas no museu imperial e necessitam ser digitalizadas e preservadas. São documentos imprescindíveis a uma compreensão mais coesa sobre a guerra do Paraguai, quando Caxias era comandante das tropas brasileiras em conflito e Paranaguá o seu chefe como ministro da Guerra.


      A família Lustosa da Cunha, com origem em Santos, no litoral de São Paulo, e que se instalou e fundou Paranaguá, no sul do Piauí, possui vasta descendência no sul piauiense, no extremo sul do Maranhão e no Tocantins. 
    
       Gutemberg Castro

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