sábado, 26 de outubro de 2013

DOM OBÁ, AMIGO PESSOAL E PROTEGIDO DE D. PEDRO II. (Bol. Nº 50 - 26/10/2013)

  DOM OBÁ, AMIGO PESSOAL E PROTEGIDO DE 
D. PEDRO II.     

Cândido da Fonseca Galvão, ou Dom Obá 2º.

       No Rio de Janeiro, em fins do século XIX, Cândido da Fonseca Galvão, ou Dom Obá 2º, tornou-se um dos pioneiros na luta pela igualdade racial no Brasil. Sua origem foi pouco comum: filho de escravos e neto do alafin (rei) africano Abiodun. Ganhou destaque em meio à população negra. Andava com farda de gala numa época em que poucos negros andavam calçados.
     Nascido em 1845, alistou-se como voluntário na Guerra do Paraguai, enquanto escravos eram recrutados à força e devido a sua grande bravura em combate, foi condecorado como oficial honorário do Exército brasileiro.
        Dom Obá, amigo pessoal e protegido de D. Pedro II, tendo o hábito de ir anualmente ao Paço se apresentar como se fosse um governante estrangeiro. Foi defensor da monarquia brasileira, atuou na campanha abolicionista e no combate ao racismo. Dom Oba assumiu nos momentos decisivos do processo de abolição progressiva o papel histórico de elo entre as altas esferas do poder imperial e as massas populares que emergiam das relações escravistas com sua figura imponente e seus modos soberanos, ao se vestir com suas finas roupas pretas ou com seu bem preservado uniforme de alferes do exército brasileiro com sua espada à cinta e seu chapéu armado com penacho colorido nas ocasiões mais especiais.
        O imperador reconhecia seus feitos em prol da nação durante a Guerra e dava ouvidos a suas súplicas. Defendia maior participação política dos negros e o fim dos castigos corporais. Dizia orgulhar-se “de preto ser”. Era “amigo dos brancos”, mas não de todos: só dos que sabiam “que o valor não está na cor”. Terminava seus artigos com expressões em latim, iorubá e português, como prova de sua identidade racial. As opiniões se dividiam: para uns, era amalucado. Escravos e libertos chamavam-no respeitosamente de Príncipe Obá, uma referência para os que buscavam a liberdade.

   Com a queda do Império, em 1889, foi perseguido pelos republicanos que cassaram seu posto de alferes. Morreu logo depois, em julho de 1890.



Comendador Gutemberg Castro

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